A GBI Agronegócios e Comércio quer iniciar a produção de carne de asininos,  conhecidos por jumentos, em até seis meses. Esse deve ser o tempo para conseguir a documentação de funcionamento e construir a estrutura de frigorífico. Com menos de um ano de vida, a empresa do município de Felipe Guerra também deve produzir leite e queijo a partir desses animais. Inicialmente, os alimentos devem ser exportados.

Só no ano passado, o Brasil vendeu US$ 7.836.272  em “carnes de cavalo, asinino e muar frescas, refrigeradas ou congeladas” para outros países. A informação é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em compensação, nenhum centavo desse tipo de carne foi importada. De acordo com o sócio-administrador da GBI, Diego Rego, em países como Holanda, Bélgica, China e Vietnã, o alimento faz parte da dieta da população. Ele admite que a produção poderá ser direcionada para o mercado interno em uma fase posterior do negócio.

Mas antes de chegar de levar a carne, leite e queijo de asinino para a mesa do brasileiro, o empreendedor terá que vencer o preconceito e as barreiras culturais. “Existe toda uma ligação afetiva e religiosa do nordestino com o jumento. Mas quando se fala na parte de domesticar, ninguém quer ter um jumento em casa”, disse Genecleyton de Almeida, diretor de Sanidade e Produção.   

Almeida lembrou que, muitos desses animais foram trocados por motos. Isso porque no interior, eles são meios de transporte. Só no ano passado, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 819 animais – inclui outras espécies que ameaçam o trânsito - nas proximidades de estradas federais no Rio Grande do Norte. Neste ano, foram 260 até agora, o que representa 31,7% de todas as apreensões de 2016.

De acordo com Diego Rego, a empresa pretende criar uma cadeia produtiva em torno dos burros, estimulando a criação por pequenos produtores. “O pessoal que a gente tem mostrado o projeto está totalmente apto e tem interesse em criar. Temos uma lista de 20 cooperativas, o que dá facilmente 2 mil produtores”, disse o sócio-administrador. Ele espera que a produção de asininos seja integrada às outras espécies presentes no Oeste Potiguar. A GBI também quer fazer o melhoramento genético e vender matrizes de jumentos.

Por enquanto, a empresa tem a licença prévia do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN). Para funcionar, o empreendimento deve obter  outras licenças. Como a GBI tem o intuito de exportar, precisa de certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), concedido pelo Ministério da Agricultura.  “A gente já encaminhou a licença de instalação e o SIF com  Ministério da Agricultura”, informou Diego.

Ele acredita que a licença de instalação saia em 60 dias. Com o documento em mãos, é possível iniciar a construção das estruturas de abatedouro. O último passo será a vistoria do Ministério da Agricultura para a concessão do SIF e a consequente liberação para exportar. No Nordeste, a Bahia, Pernambuco, Maranhão e Sergipe possuem frigoríficos com SIF conforme o Ministério da Agricultura. A GBI pretende trabalhar exclusivamente com os asininos.

Sabor e nutrição
A carne do jumento é  semelhante a carne de boi, mas  possui mais de fibras. É o que garante o Diego Rego. A carne dos equideos (cavalos, mulas e jumentos) possui mais ferro que a do boi. Além disso, é mais magra que a carne de porco por exemplo. Em 2014, o promotor do Ministério Público estadual Sílvio Brito organizou um almoço com carne de jumento, em Felipe Guerra, para 120 pessoas. O assunto virou polêmica nacional. Hoje, na comarca de Martins, ele mantém a opinião. “Os jumentos têm grandes potencialidades econômicas na carne, no couro e no leite. O que falta é empreendedorismo”, afirmou.

Tribuna do Norte


RN deve exportar carne de jumento

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