“Humildade paz e liberdade.” Esse é o lema do Sindicato do RN, a facção criminosa que há quase cinco anos desafia o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o governo do Estado. Na última semana, após ter 220 membros integrantes transferidos da penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, eles ordenaram ataques a ônibus e delegacias. A polícia contabilizou 32 atentados, que levaram Natal a ficar quatro dias sem circulação de ônibus e trouxeram 1.800 homens das Forças Armadas para devolver a segurança às ruas.

A facção é uma dissidência do PCC e começou a ser montada em 2012. Surgiu de criminosos e presos que eram ligados ao PCC, mas questionava a obrigação de seguir somente ordens vindas de São Paulo. Além disso, os criminosos potiguares também reclamavam do envio de recursos arrecadados com o crime no Estado para São Paulo.

A facção foi descoberta com as investigações da operação Alcatraz. Segundo as investigações do Ministério Público do Estado, o Sindicato do Crime tem uma data oficial de criação: 27 de março de 2013. O estatuto e lema o grupo foram definidos por conversas pelo aplicativo WhatsApp e foi descoberto após apreensão de celulares.

O estatuto da facção tem 16 artigos e prevê itens inusitados, como a proibição do uso de crack e do calmante “rivotril”. Em gravações telefônicas, os promotores também descobriram que todos passam por um rito de batismo.

Uma primeira denúncia contra cinco membros do grupo foi feita em 18 de dezembro de 2014. Nela, promotores informam detalhes de como a facção passou a dividir o poder do crime junto com o PCC.

“O Sindicato do RN surgiu de uma dissidência do Primeiro Comando da Capital/RN, em virtude de discordâncias com alguns métodos adotados por esta organização. O Sindicato do RN foi formado por ex-integrantes do Primeiro Comando da Capital/RN que ‘rasgaram’ a camisa, ou seja, optaram por sair da organização e fundar uma outra”, diz a denúncia. O número de integrantes do grupo é uma incógnita. Fala-se em cerca de 3 mil, mas não há como confirmar.

Aliados a facções como o Comando Vermelho e Família do Norte, os integrantes do Sindicato do RN fazem parte de uma rede de grupos que tentam impedir o monopólio do PCC.

No Rio Grande do Norte, o Sindicato é mais forte e está na liderança de 28 das 32 unidades do Estado. Segundo relatos feitos ao UOL, o grupo também teria um maior controle do tráfico na Grande Natal e no interior.
Organização

O UOL teve acesso a documentos do MP que mostram o organograma da facção. Os líderes e fundadores do Sindicato são chamados de “final” ou “linha final”. A eles cabem as últimas decisões na organização. Há também um conselho que os ajuda e é formado por pessoas de confiança. Segundo o MP, a facção copiou do PCC rituais, práticas e até vocabulários da organização.

Os líderes das comunidades são os chamados “quadro geral da quebrada”. Ao lado, há o “linha de frente da quebrada”, que é responsável pela segurança da comunidade. Os chefes dos pavilhões nos presídios são chamados de “jet’s”. Os “vaqueiros” são os agentes operacionais do tráfico. Assim como o PCC, as mulheres de presos são chamadas de cunhadas. Ainda há o “chefe do paiol”, que guarda o armamento da facção.

Os integrantes do Sindicato são obrigados a pagar mensalidades ao grupo, a chamada “cebola”. Quem está preso paga R$ 50; e quem está fora, R$ 200. Há ainda rifas feitas quando é necessário arrecadar mais fundos. O sistema é o mesmo no PCC, que só cobraria mensalidade mais alta dos detentos (R$ 100).

O pagamento dá direito a alguns “benefícios”, como acesso a advogados e assistência a familiares, segundo um integrante da facção. “O dinheiro da facção gira em cima das mensalidades e dessas rifas, que são pagas com dinheiro proveniente das atividades criminosas de seus membros, que praticam roubos, furtos e tráfico de drogas”, diz um documento do MP.


UOL

Sindicato do RN: conheça a facção que desafia PCC e Estado

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