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Hoje, 13 de julho de 2018, é dia de rock no Brasil! Em bom português, hoje o Brasil festeja o Dia Mundial do Rockcom shows por todo o país e a edição de música inédita, Faça sua parte, composta e gravada por integrantes dos grupos CPM 22 e Raimundos.

Só que esse mundial acoplado à efeméride é mais uma força de expressão porque a data – criada em 13 de julho de 1985 pelo cantor e compositor inglês Phil Collins em momento de empolgação durante apresentação no Live Aid, festival de alcance planetário – nunca pegou efetivamente no mundo.

Não colou nem nos Estados Unidos, país onde o rock nasceu no alvorecer da década de 1950, e tampouco na Inglaterra, a filial mais importante de um gênero que uniu o mundo em torno da música, revolucionando os costumes e fundando um universo pop.

Mesmo solitário na implantação da data, festejada no Brasil desde a segunda metade dos anos 1980, o país do samba e do futebol tem pouco ou nada a comemorar hoje.

É certo que a semente do rock continua a germinar no sangue e nos hormônios de adolescentes que descobrem a cada dia o poder de alguns acordes amplificados pelo toque de uma guitarra. Alguns desses adolescentes continuarão a hastear a bandeira do rock quando se tornarem adultos e levarão adiante o legado dos pioneiros dos anos 1950.

Mesmo assim, o fato é que o rock é minoria no Brasil pop sertanejo de hoje. Também é fato que, no mundo todo, o rap tomou do rock o lugar de contestação. É com o discurso falado do rap que os jovens bradam contra tudo e contra todos que acreditam estar fora da ordem.

Nem por isso deixam de existir roqueiros no mundo todo. Só que, no exterior, eles ainda estão mais visíveis. No Brasil, os roqueiros podem não ter voltado a ter cara de bandido – como a irreverente Rita Lee sentenciou em verso de Orra meu (1980) – mas retornaram para os guetos, para as garagens, para as margens do mercado fonográfico.
A indústria da música pop no Brasil dança conforme o ritmo do funk, do sertanejo, do arrocha e até do já decadente pagode. Já o rock parece ter sumido do mapa, das rádios, dos programas de televisão, das genéricas playlists, enfim, do universo pop nacional.

Nem o ouvinte mais pessimista poderia prever tal derrocada ao longo dos anos 1980, década em que o rock ditou modas, fez cabeças e dominou as paradas do Brasil no toque de bandas relevantes como Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs.

A hegemonia começou a ser diluída nos anos 1990, década áurea do pagode e da axé music, mas ainda havia rock no mainstream. A partir dos anos 2000, o rock foi progressivamente desaparecendo do mercadãopara nostalgia de quem se achava moderno na década de 1980.

O rock errou, como decretou Lobão ainda nos anos 1980? Talvez. E, se houve erro, foi ter se desconectado dos anseios da juventude, que hoje fala pelo rap e até pelo funk. Não é por acaso que, como toda minoria, o rock precisa de um dia para chamar de seu.

G1


Uma das modas mais recentes para quem quer perder peso está na volta às origens. No caso, bastante às origens. A chamada dieta paleolítica busca reproduzir (com as devidas atualizações pertinentes) a alimentação que os seres humanos tinham na pré-história: trata-se de um cardápio baseado em plantas selvagens, carne, peixe e ovos.

Não é tão páleo assim, mas ao menos é histórica e cientificamente comprovada: em artigo publicado pela revista Current Biology nesta quinta, um grupo internacional de cientistas concluiu exatamente como foi a última refeição de um homem que viveu há 5,3 mil anos, no período Neolítico.

Trata-se de Ötzi, o Homem do Gelo - a múmia de gelo naturalmente preservada mais antiga de que se tem notícia, que rivaliza com a egípcia Ginger como a mais velha múmia humana conhecida. Esse corpo humano foi descoberto por montanhistas alemães em 1991, nos Alpes, mais precisamente na fronteira entre a Áustria e a Itália, perto do monte Similaun.

A pesquisa, que foi divulgada nesta quinta-feira, mostra os resultados da primeira análise em profundidade do conteúdo do estômago desse ser humano ancestral. Ou seja: revela como eram os hábitos alimentares do homem primitivo que ocupava essa região.

Entre outras coisas, descobriu-se que a última refeição do Homem de Gelo teve muita gordura animal.

"Conseguimos comprovar que ele teve uma proporção notavelmente alta de gordura em sua dieta, suplementada com carnes selvagens de íbex (caprino que habita os Alpes) e de veado, trigo selvagem e vestígios de um tipo de samambaia", explica o pesquisador Frank Maixner, coordenador do Instituto Eurac de Estudos da Múmia da Universidade de Bolzano, na Itália.

"O material do estômago da múmia foi extraordinariamente bem preservado, em comparação com amostras do intestino delgado previamente analisadas", afirma o cientista. "Também verificamos grandes quantidades de biomoléculas únicas, como lipídios, o que abre novas oportunidades metodológicas para abordarmos questões sobre a dieta de Ötzi."

Pesquisa sobre a dieta
Os cientistas mesclaram técnicas tradicionais de microscopia com modernas análises que usam corrente elétrica para identificar a composição residual dos tecidos. Antigas sequências de DNA, além de proteínas, metabólitos e lipídios remanescentes foram estudados.

De acordo com Maixner, uma análise assim nunca havia sido feita antes porque existia uma dificuldade em identificar o estômago do Homem do Gelo. O órgão acabou "subindo" no processo de mumificação, tendo sido localizado, portanto, apenas em exames de tomografia computadorizada realizados em 2009, 18 anos após sua descoberta.
Ainda segundo o grupo de cientistas, o íbex seria a fonte mais provável de gordura da dieta desse homem primitivo. Metade do conteúdo do estômago de Ötzil era de gordura adiposa. "Faz todo o sentido", aponta Maixner, lembrando o ambiente alpino, de frio extremo, onde este homem viveu e foi encontrado.

"O ambiente alto e frio é particularmente desafiador para a fisiologia humana. E requer o fornecimento ideal de nutrientes, para evitar a fome rápida e a perda de energia", afirma o biólogo Alberto Zink, do mesmo instituto de pesquisa.

"O Homem do Gelo, ao que parece, tinha plena consciência de que a gordura é uma excelente fonte de energia."

Modo de fazer
De acordo com a pesquisa, Ötzil não teve muitos cuidados no preparo de sua alimentação. A carne selvagem, conforme a análise, foi consumida fresca - ou, no máximo, seca. A samambaia, segundo o estudo, continha esporos tóxicos, mas não se sabe se essas folhas foram ingeridas intencionalmente pelo homem primitivo.

Pode ser que ele sofresse de doenças - pesquisas anteriores identificaram parasitas em seu intestino - e tenha ingerido o vegetal em busca de um remédio. Ou pode ser que Ötzil tenha utilizado a planta para embrulhar a carne e acabou comendo-a sem querer.

Os cientistas envolvidos na pesquisa esperam continuar descobrindo particularidades sobre a dieta do homem antigo. O plano agora é tentar reconstruir os microbiomas intestinais de Ötzi.

Exposto no Museu de Arqueologia de Bolzano, no norte da Itália, Ötzi foi encontrado pelo casal de montanhistas alemães Helmut e Erika Simon, em 19 de setembro de 1991.

Inicialmente, eles acharam que fosse um cadáver contemporâneo. Mas o corpo foi examinado, medido, radiografado e datado: chegou-se à incrível idade de 5,3 mil anos.

Tanto seus tecidos como seus intestinos foram examinados na época. Também foi estudado o pólen presente em seus artefatos. Acredita-se que ele tenha morrido com uma idade em torno de 30 a 45 anos. Ele media 1, 65 metro de altura.

O Homem do Gelo vestia um casaco e calçados de couro - solas de pele de urso, parte superior de couro de veado -, trajes considerados sofisticados para a época. Tufos de grama dentro do sapato aparentemente serviam como isolante térmico.

Seu corpo tem 57 tatuagens, marcas que alguns cientistas acreditam se tratar de um tipo primitivo de acupuntura. Entre os objetos encontrados com ele - um machado com lâmina de cobre, uma faca de sílex, uma aljava e um arco, havia restos de duas espécies de cogumelos. Uma delas, conhecida por propriedades antibacterianas, acredita-se que tenha sido utilizada para fins medicinais. 
Maldição da múmia

A primeira hipótese era de que Ötzi tivesse morrido enquanto levava seu rebanho para as montanhas, surpreendido por uma nevasca. Entretanto, uma tomografia realizada em 2001 revelou que o homem tinha uma ponta de flecha na região de seu ombro - além de um pequeno furo em seu casaco.

Também foi localizado um ferimento profundo na palma de sua mão direita. Atualmente, a explicação mais aceita para sua morte é que essa lesão na proximidade do ombro tenha atingido uma artéria.

Uma curiosa - e macabra - superstição cerca Ötzi. Isso porque, até agora, sete pessoas que tiveram contato com o cadáver morreram em decorrência de estranhos acidentes. Há uma lenda, portanto, de que a múmia se zanga com quem pertuba seu descanso eterno.

Uma das supostas vítimas dessa maldição foi Helmut Simon, o descobridor do Homem de Gelo. Em 15 de outubro de 2004, ele morreu em uma tempestade de neve, na Áustria, a 100 quilômetros do local onde encontrou Ötzi.

BBC






Arqueólogos que examinavam uma pirâmide no México para avaliar eventuais danos causados pelo devastador terremoto que atingiu o país em setembro do ano passado descobriram um antigo templo.

O templo está situado dentro da pirâmide de Teopanzolco, perto de Cuernavaca, no Estado de Morelos, 70 km ao sul da Cidade do México.
Acredita-se que ele tenha sido erguido por volta de 1150 d.C., no período da cultura tlahuica, um dos povos astecas que viviam na região central do país.

O templo, de 6 m de comprimento por 4 de largura, seria dedicada a Tláloc, deus asteca da chuva.
A descoberta foi feita quando uma equipe do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) escaneava - com um radar - a pirâmide de Teopanzolco em busca de danos estruturais.

A arqueóloga Barbara Koniecza disse que o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o México em setembro, matando 369 pessoas, causou danos consideráveis a Teopanzolco, em particular a dois templos. "A pirâmide sofreu um considerável rearranjo do núcleo de sua estrutura." 
Pesquisas sugerem que os tlahuica viviam em dezenas de pequenas cidades-estados na região em que hoje fica o Estado de Morelos.


Acredita-se que as principais estruturas do sítio arqueológico de Teopanzolco datem do século 13 - o que indica que o templo recém-descoberto é anterior a ele.

Koniecza diz que não era incomum que os tlahuica fizessem construções sobre estruturas antigas.

www.bbc.com


Um misterioso sarcófago de granito negro foi encontrado por arqueólogos em Alexandria, no Egito. As dimensões dele impressionam: com 1,85m de altura, 2,65m de profundidade e 1,65m de largura, é o maior artefato do gênero já encontrado no país. Junto a ele, também estava uma escultura de alabastro representando uma cabeça. 

De acordo com Ayman Ashmawy, do Ministério de Antiguidades do Egito, o sarcófago nunca foi aberto desde que foi selado, há mais de dois mil anos. Esse fato é muito raro, já que tumbas egípcias antigas têm sido saqueadas e arrombadas no decorrer dos últimos séculos. 

O sítio arqueológico onde ele foi encontrado data do período Ptolomaico (305 a.C - 30 a.C). Os especialistas agora procuram descobrir o que há dentro do artefato. Os arqueólogos acreditam que a escultura encontrada pode representar a pessoa enterrada ali, mas ainda é cedo para que isso seja confirmado.

Pelas características do sarcófago, especula-se que ele deva pertencer a alguém com alto prestígio social. A descoberta pode ajudar a entender melhor os costumes dos habitantes de Alexandria, uma das cidades mais importantes da antiguidade.

 Fonte: Science Alert
Imagem:  Ministério de Antiguidades do Egito




Pesquisadores da Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) anunciaram a criação de uma rede neural artificial criada com DNA sintético. A tecnologia é capaz de reconhecer números codificados em moléculas. Como todas as redes neurais, ela imita processos que ocorrem naturalmente no cérebro humano.

Diferentemente da maioria das redes neurais artificiais, esta foi desenvolvida em um tubo de ensaio. Feita com DNA sintético (que pode armazenar grandes quantidades de informação digital), ela se assemelha a uma "sopa inteligente”. "Neste trabalho, criamos circuitos bioquímicos que funcionam como uma pequena rede de neurônios capazes de classificar informações moleculares consideravelmente mais complexas do que era possível anteriormente", disse Lulu Qian, uma das responsáveis pela pesquisa.

Para demonstrar que a inteligência artificial pode ser programada em circuitos biomoleculares sintéticos, a equipe usou uma espécie de teste de reconhecimento de caligrafia. Humanos são capazes de reconhecer o número “4" escrito por pessoas diferentes, mas máquinas não possuem essa capacidade. Mas ao alimentar uma rede neural com toneladas de exemplos diferentes de caligrafia do número "4", o algoritmo passa a reconhecer padrões. Assim, ele é capaz de diferenciar um "4" de um "5".

No teste em questão, não foi usada a caligrafia humana, mas algo chamado de "caligrafia molecular". Foram criados então símbolos moleculares, representando numerais de 1 a 9. A rede neural artificial foi capaz de diferenciar 36 diferentes versões “caligrafadas” dos mesmos números. 

Os pesquisadores esperam que no futuro essa tecnologia possa ajudar a aprimorar testes médicos laboratoriais. "Diagnósticos médicos comuns detectam a presença de algumas poucas biomoléculas, como as de colesterol ou glicose. Usando circuitos biomoleculares mais sofisticados, como os nossos, os testes poderão incluir centenas de biomoléculas", afirmou Kevin Cherry, da equipe responsável pela pesquisa.


Fonte: Motherboard e IFLScience
Imagem: Shutterstock.com




A nova droga inibe proteínas relacionadas ao envelhecimento e fortalece o sistema imunológico

Desde sempre o humano sonha em, de alguma forma, evitar o envelhecimento. É só observar o número de lendas antigas que falam sobre o assunto, como a greco-romana fonte da juventude que foi apropriada pelo Renascimento europeu no século 16. Agora, podemos estar mais perto de ver essa lenda se tornar realidade: um estudo clínico publicado pela American Association for the Advancement of Science obteve resultados positivos com drogas antienvelhecimento experimentais, que de quebra reforçam o sistema imunológico. 

O teste envolveu pessoas acima de 65 anos, que receberam dois remédios inibidores de mTOR (um grupo de proteínas responsáveis por multiplicar e envelhecer as nossas células). Essa inibição causou um retardo no processo de envelhecimento dos voluntários.  

Testes com camundongos mostraram que as mesmas drogas também foram responsáveis por revitalizar o sistema imunológico e os órgãos que se deterioram na velhice, aumentando a expectativa de vida das cobaias. Ainda não se sabe como a droga pode ter atuado na revitalização dos órgãos dos humanos. Mas o sistema imunológico deles foi rejuvenescido: os voluntários tiveram quase 50% menos infecções durante o ano seguinte ao teste. As drogas também foram eficientes em aumentar as respostas dos voluntários à vacina contra a gripe, revelando 20% a mais de anticorpos contra gripe no sangue um mês após a vacinação.

O próximo passo da pesquisa é descobrir se os medicamentos funcionam bem em todos os grupos de idosos. Por exemplo, pessoas com mais de 85 anos, com asma, diabetes ou insuficiência cardíaca. Se tudo der certo, poderemos ter um futuro com uma melhor qualidade de vida à medida que envelhecemos.

super.abril.com.br




A conversa começa cedo no grupo de WhatsApp “Bolsonaro 2018”. Entre 5 e 7 horas da manhã, piscam as primeiras mensagens, que envolvem pedidos de engajamento na campanha eleitoral, entrevistas de Bolsonaro e piadas sobre a esquerda para relaxar. “Precisamos de 10 mil voluntários. Aliste-se no Exército que mais cresce no Brasil. Junte-se ao time de Jair Bolsonaro e nos ajude a fazer de nosso país uma nação mais patriota, honesta e digna”, diz uma delas. Criado em julho de 2017 pelo empresário e pecuarista Jorge Izar, até a última sexta-feira de junho o grupo unia 75 pessoas no Pará, entre empresários e admiradores do candidato do PSL à Presidência da República.

Izar é o coordenador nacional da estratégia de difundir propostas do candidato por meio do aplicativo. O grupo é um dos cerca de 160 que, segundo ele, existem no estado. A ideia é que, em cada cidade do país, um multiplicador crie novos grupos digitais para dar maior visibilidade aos projetos do pré-candidato — e que isso possa se reverter em votos. É via WhatsApp que são marcados eventos de distribuição de adesivos — os “adesivaços” —, atos de apoio e carreatas.

Em Marabá, no sudoeste paraense, o Dia de São João foi de adesivaço. O principal chamariz nas mensagens do grupo digital era a presença de um Bolsonaro inflável, uma versão à direita do Pixuleco, o boneco que caracterizava o ex-presidente Lula como presidiário. “Mais de 12 metros de pura opressão”, dizia a mensagem em referência ao Bolsonaro de plástico. Para o próximo ato, marcado para este mês, Gildo Filho, um voluntário ligado ao deputado federal Éder Mauro (PSL-PA) e que se apresenta no grupo sob o pseudônimo de Gildo Bolsonaro, esforça-se para levar o candidato a Parauapebas, município que abriga a maior mina de minério de ferro da Vale. Começou até uma vaquinha, divulgando número de três contas bancárias, para financiar a viagem.

Bolsonaro tem no boca a boca digital sua principal ferramenta de apoio. “Chegou a hora decisiva!! O capitão Bolsonaro vai precisar da maioria no Congresso e você poderá fazer isso acontecer apoiando não apenas o capitão, mas apoiando inteiramente o partido PSL. E convidamos você para voluntariamente lutarmos por nossos candidatos PSL no Pará. Entre em contato conosco e seja um soldado que poderá mudar nosso Brasil.” Em geral, quem cuida de dispersar mensagens assim são pequenos e médios empresários urbanos e empresários do agronegócio, que já se conheciam de outras mobilizações. Assim como Bolsonaro, Izar é militar da reserva, originário da Academia Militar das Agulhas Negras — instituição de ensino superior de formação de oficiais do Exército instalada em Resende, Rio de Janeiro. Com negócios no campo e na cidade, é dono de fazendas e da Engesonda, empresa de geotecnia em São Paulo. Ele foi um dos coordenadores do grupo Vem pra Rua, criado em 2014 para atrair pessoas insatisfeitas com a corrupção e com o governo do PT.

A experiência com a propagação das ideias por redes sociais fez com que Izar se engajasse também na campanha, divulgando a candidatura entre empresários. “O primeiro grupo foi criado em Dourados, em Mato Grosso do Sul. Em pouco tempo chegou a 300 caras. Agora temos um grupo por estado, que se desdobra em vários outros”, afirmou. “Mantenho contato direto apenas com os coordenadores estaduais. São apenas dois por estado, para poder acompanhar o que sai. Mais do que isso seria impossível de administrar.” O formato dos grupos não permite um controle de quantos são e onde estão esses multiplicadores, mas Izar disse ter certeza de que nenhum estado está descoberto. Em Goiás, os bolsonaristas estimam que sejam 200 células ativas; no Ceará seriam pelo menos 120 os grupos que replicam elogios e mensagens a favor do candidato.

A gênese da mobilização não está em Bolsonaro em si. A rede já existia, como mostra o caso de Izar. A maioria dos participantes já mantinha contato, seja por meio do Vem pra Rua, seja por meio de outros movimentos ou mobilizações que têm em comum uma pauta que vai além de interesses comerciais. No passado recente, essa turma se afunilou em torno dos protestos contra o governo petista, em virtude das descobertas da Operação Lava Jato e, em seguida, em torno do impeachment de Dilma Rousseff. Quando Bolsonaro cresceu no cenário político, eles o abraçaram.

Dono de fazendas na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, e na região Centro-Oeste, Luiz Antonio Nabhan Garcia, silvicultor e pecuarista, preside a União Democrática Ruralista (UDR) e tem um histórico de militância na direita e contra o PT. Desde 2013 é um fiel ativista nas redes sociais depois de integrar as fileiras do Vem pra Rua. Ele afirmou que “mais de 90%” dos produtores rurais apoiam o pré-candidato e não se sentem representados pela enorme bancada ruralista no Congresso Nacional.

“Temos uma bancada que finge nos representar, mas legisla em causa própria”, disse Nabhan Garcia. Ele atribuiu a adesão de seus pares à candidatura de Bolsonaro pela defesa que o pré-candidato faz do respeito à propriedade privada e da redução do que chama de favorecimento do governo ao setor especulativo — ou seja, os bancos —, em detrimento, segundo Garcia, dos que de fato produzem no Brasil. Fazendeiro em Redenção, no sul do Pará, Luciano Guedes, participante do “Bolsonaro 2018”, confia que, se eleito, o deputado vai rever a extensão de terras delegadas a reservas indígenas. As reservas ocupam hoje 12,5% do território nacional.

Cada um enxerga em Bolsonaro o candidato capaz de realizar o que lhe interessa. Figura dura, de respostas curtas e grossas, o pré-candidato do PSL representa para esse grupo de empresários uma saída. Todos acreditam na meia dúzia de diretrizes que compõem sua carta de intenções em favor do setor privado. Em linhas gerais, apesar do histórico intervencionista, essa turma espera de Bolsonaro a execução de uma agenda liberal, de redução do tamanho do Estado, da quantidade de ministérios, do peso dos impostos e da burocracia.
João Luiz Frota, de 27 anos, é dono da JF Construções e integrante do Movimento Endireita Ceará, que faz encontros semanais. Filiou-se ao PSL e já sonha com o economista Paulo Guedes — que se apresenta como conselheiro econômico de Bolsonaro — como ministro da Fazenda. “Bolsonaro vai indicar pessoas honestas e com qualidade técnica. Paulo Guedes já é um dos anunciados. É um caminho bem traçado”, declarou. Como ele, vários creem que, apesar da escassez de ideias econômicas, Bolsonaro executará as ideias defendidas pelo economista.

Numa manhã de terça-feira em junho, seis empresários se agruparam em torno de uma mesa de reuniões de um escritório de advocacia em São Paulo. No centro da mesa, um boneco de plástico, de uns 20 centímetros, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que balançava a cabeça. “Bolsonaro é a última proposta que sobrou na sala. Todas as alternativas de poder já foram testadas: MDB, PSDB, PT. Trump não seria possível sem o Barack Obama. E Bolsonaro, sem Lula e Dilma”, disse Victor Metta. Discípulo de Olavo de Carvalho, o escritor e filósofo admirado por parte dos conservadores, o advogado foi além das mensagens pelo WhatsApp e hoje é tesoureiro do PSL.

O mais velho do grupo é Nabhan Garcia, com 60 anos. Celso Rocha, de 41 anos, já foi vereador em Indaiatuba, região de Campinas, e passou por partidos como PDT, PPS e PSDB. Sem poder para aumentar ou reduzir despesas no município, desencantou-se e hoje é dono de uma distribuidora de picolés. Letícia Catelani, de 30 anos, é dona de uma importadora de equipamentos de alta tecnologia para indústria de base. Rodrigo Morais, de 35 anos, possui um cursinho para alunos de baixa renda. Otávio Fakhoury, de 45 anos, já atuou no mercado financeiro e hoje administra um fundo próprio, que investe em imóveis.
Além da agenda econômica que acreditam que ele defenderá, eles veem Bolsonaro como um símbolo de combate à agenda social globalista — a que vem de fora e coloca na sala, segundo eles, desconfortáveis debates, como identidade de gênero, homofobia, xenofobia e afins. Única mulher do grupo, Catelani disse não se sentir ofendida por declarações machistas ou sexistas de Bolsonaro. “Não me vitimizo. Acredito na meritocracia. E a questão é biológica: uma mulher não pode trabalhar tanto quanto um homem. Não se pode negar a natureza.”

Catelani declarou não ter tido ajuda do pai, empresário do ramo de metalurgia, para abrir sua empresa aos 18 anos. Praticante de tiro, ela aparece em seu perfil no Instagram, com 18 mil seguidores, empunhando armas, pilotando um helicóptero e criticando o que chama de “feminazis”. “Um beijo para as feministas que só sabem reclamar, nunca construíram nada na vida e se escondem nas desculpas de um discurso vitimista.”

Na avaliação do advogado Metta, a direita no Brasil sumiu entre as décadas de 1960 e 1970 e ressurgiu nos anos 2000. “Graças a Deus, o movimento foi se ampliando, se espalhando”, disse. Na visão dele e do colega Otávio Fakhoury, os conservadores evoluíram, assim como Bolsonaro — o que os faz acreditar que os postulados de Paulo Guedes vão prevalecer. “Hoje temos um mercado de capitais livre e um Estado grande, que põe a mão em tudo e não desenvolve nada”, afirmou Fakhoury. “O mundo evoluiu. Nós da UDR não defendemos essa coisa doentia de governo militar. Qual país avançado é governado por militar? Bolsonaro hoje é muito mais congressista do que militar”, disse Nabhan Garcia.

Dono de um cursinho comunitário chamado Saquarema — nome inspirado na alcunha dos membros do Partido Conservador durante o Segundo Reinado (1840- 1889) —, Rodrigo Morais já deu curso de formação de professores em Moçambique, por meio de uma ONG dinamarquesa, morou nos Estados Unidos e deu aulas na rede Objetivo. Simpatiza com a ideia de Bolsonaro de “armar as pessoas de bem”, cujas casas são invadidas por criminosos. “A segurança pública é um problema individual. Primeiro preciso defender minha vida.”

Se é ídolo entre pequenos e médios empresários, Bolsonaro tem claras dificuldades com o topo do PIB nacional. Já fez esforços para melhor sua aceitação nessa parcela do empresariado. Esteve, no mês passado, na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. Em fevereiro, vendeu seu peixe numa palestra no banco BTG Pactual, em São Paulo, para 2.500 investidores e empresários de 140 empresas. A plateia o questionou sobre seu discurso intervencionista na economia e seu desconhecimento sobre o tema. Bolsonaro saiu-se com uma resposta ambígua: mostrou-se liberal ao defender a reforma da Previdência, mas criticou a presença da China em negócios de mineração no Brasil.

Na última terça-feira, também em São Paulo, Bolsonaro se reuniu com um grupo de empresários a convite de Abílio Diniz. Entre outros nomes de peso, estavam presentes David Feffer, do grupo Suzano, Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, e José Roberto Ermírio de Moraes, membro do conselho do grupo Votorantim. O pré-candidato afirmou que todos ali teriam mais preparo do que ele para assumir a Presidência da República, mas que ele era o único com condição de chegar ao Planalto.

Às 20 horas do mesmo, três vans se enfileiraram na porta do restaurante Oliver, no Lago Sul, em Brasília, de onde desembarcaram 40 passageiros. O grupo integrava um dos comboios que levaram cerca de 200 empresários ao convescote organizado pela Federação da Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e pelas outras federações do Sudeste.

Com taças cheias de vinho argentino Alamos ou de espumante nacional nas mãos para começar a noite, que seguiu ao som de um cantor apresentando sucessos de Djavan, eles especulavam como seria o dia seguinte, quando ouviriam as propostas de Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB), Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos) no evento anual da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Sentado no bar e com uma taça de espumante Garibaldi na mão, o empresário baiano Alberto Coelho despontava como um dos entusiastas de Jair Bolsonaro. “Ele é o único com coragem para enfrentar esse inferno astral que estamos vivendo, tem bom senso e não possui compromisso com filosofia política, nada disso. E mais, tem uma formação militar típica de que este país precisa, de ordem para fazer as coisas.”

Dono do Curtume Moderno S.A., Coelho tem como principal queixa a atuação do Ibama e de outros órgãos do meio ambiente que “travam a economia do Estado”. “O IBGE descobriu uma Mata Atlântica a 1.000 quilômetros da praia. Na Floresta Amazônica você pode desmatar 20%, agora dessa floresta inventaram que não pode arrancar nenhuma folha, nada! A gente podia estar produzindo muito mais algodão, mais tudo. Só Bolsonaro terá coragem de combater isso.”

A poucos metros dali, em uma das maiores mesas do restaurante, tomada por empresários do Rio de Janeiro, o presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha do Rio de Janeiro (Sindborj), Marcello Tournillon, também exaltava o presidenciável entre mordidas em um petit gateau e goladas de vinho. “Bolsonaro tem posições claras e um indicador de transparência que a gente não vê mais por aí. Você joga uma pergunta e ele já responde, fala o que pensa, não enrola. Os empresários estão descrentes da política.” Questionado se aquele era um voto de protesto, negou: “É de discordância do que está acontecendo. Se o senhor Alckmin apresentasse uma mudança..., mas até agora nada”.

As críticas ao ex-governador paulista eram entoadas por outro grupo de empresários, desta vez do Triângulo Mineiro. “Olha, essa falta de estabilidade pede alguém do centro, mas o nosso centro tem um vácuo que se chama Alckmin”, criticou Roberto Velludo, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Uberaba, que foi prontamente interrompido. “O que é isso, meu amigo? Bolsonaro está no centro. Ele é centro-direita-esquerda, e meu voto é dele”, disse o executivo Marcelo Ribeiro. Provocado a explicar o que seria “centro-direita-esquerda”, limitou-se a dizer que esse era Bolsonaro e seu voto estava “decidido”. Alguns goles de cerveja depois, Velludo rebateu o colega e definiu que João Doria, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB e nome que está fora da corrida presidencial, seria o melhor para suceder a Michel Temer.

Em uma mesa-redonda, com uísque Johnnie Walker Red Label nos copos, os presidentes das federações estaduais da indústria Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira (Firjan), Leonardo Castro (Findes), José Ricardo Roriz (Fiesp) e Flavio Roscói (Fiemg) evitaram opinar sobre o apoio dos presentes a Bolsonaro. “Ainda temos de ver as propostas dele e dos demais, entende? O principal é comunicar a importância do empresário para a sociedade”, desconversou Vieira, cicerone do encontro.

Único político no jantar e com lugar cativo na mesa dos presidentes das federações, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) reconheceu que o clima pró-Bolsonaro dominava o grupo. “Eles estão no momento de flertar com a coisa da autoridade, isso está claro.” Filiado ao partido de Alckmin, o senador aposta na mudança de cenário, apesar de não apontar motivos para isso: “Não sei se vai prevalecer. Tem que acompanhar, não é?”.

Na manhã da quarta-feira, no evento na CNI, Bolsonaro fez um pedido aos empresários, que, segundo ele, erraram ao votar em candidatos que levaram o país à situação atual. “Os senhores podem errar comigo. Com outros, já erraram.

Época


Com 4,7 bilhões de visualizações no youtube, ela faz uma multidão entoar junto canções sobre fossa, traições e porres

Passavam das 23 horas em Votorantim, interior de São Paulo, quando a artista musical mais ouvida do país chegou ao ponto alto de seu show. Em frente a 10 mil pessoas, as luzes do palco apagaram, um globo espelhado foi posicionado e um piano de cauda começou a ressoar os primeiros acordes em tom de tristeza. A toada lenta e o ambiente sombrio ganharam vida quando uma voz forte e grave rompeu a pausa projetada pelo instrumento: “Exagerado, sim”, disse o primeiro verso, enquanto centenas de luzes refletidas pela esfera de vidro iluminaram a estrela da apresentação. A canção seguiu num crescendo ritmado até que explodiu no refrão, quando todas as desilusões amorosas do público pareceram se unir em uma só voz: Não finja que eu não tô falando com você/Eu tô parado no meio da rua/Eu tô entrando no meio dos carros/Sem você a vida não continua, gritou a cantora. Se ao fim da música a sertaneja Marília Mendonça precipitou centenas ao choro e a lembranças irracionais de ex-parceiros, é porque entregou o que pagaram para ouvir e fez jus ao epíteto que ganhou após o sucesso: Rainha da Sofrência.

Depois de “De quem é a culpa?”, a cantora tentou levantar o ânimo do público. “Ninguém aguenta tanta sofrência!”, brincou ela, após entoar covers de Anitta e Pabllo Vittar. O estrago, no entanto, já havia sido feito. Muito antes dos acordes de piano no fim da apresentação, o público foi exposto a dezenas de situações musicadas em que histórias de traição, saudade e términos conturbados ditam as composições que lhe renderam 4,7 bilhões de visualizações no YouTube, maior marca do país. Com apenas 22 anos e menos de três de carreira como cantora, ninguém naquela noite de junho queria ouvir algo diferente das lamentações de Marília Mendonça, ainda que ela ameaçasse, algumas vezes, parar de “fazer a plateia sofrer”. “NÃO!”, respondia a legião com um grito único, expressando um incauto desejo pelo sofrimento. Por mais que a cantora houvesse imposto três regras ao começo da apresentação — “não pode chorar, não pode vomitar e não pode ligar para o ex” —, não é de estranhar que, a cada sucesso, todas elas tenham sido infringidas dezenas de vezes, talvez simultaneamente, por uma série de motivos pessoais e algum exagero alcoólico. Além do show em Votorantim, as outras apresentações acompanhadas por ÉPOCA no Rio de Janeiro e em Volta Redonda, interior fluminense, seguem a mesma receita de sucesso, que rende quantias em torno dos R$ 300 mil por noite, fora os gastos com transporte e alimentação, geralmente bancados pela produção do evento.

Marília Dias Mendonça é uma jovem adulta de cabelos louros, bochechas salientes, sorriso largo e voz grave. Quando apareceu para a entrevista em uma saleta de hotel, já preparada para se apresentar dali a pouco no interior paulista, de blusa, calças, sapatilhas e tailleur pretos, a falta de pompa ao tratar os membros da equipe e a seriedade do visual remetiam a uma cantora ainda indecisa sobre a imagem que quer ter — se “brincalhona”, como sugerem suas contas nas redes sociais, ou “madura e vivida”, como apontam suas composições. Cercada de assessores e membros da produção, a primeira coisa que se percebe é que a reeducação alimentar seguida pela cantora, que a fez perder cerca de 15 quilos e rendeu críticas de fãs, de fato deu resultado.

Desde o começo marcada pela fuga dos padrões de beleza, Marília Mendonça adotou um discurso de aceitação que foi posto em xeque por alguns seguidores depois que surgiu mais magra no início de maio, mudança anunciada em uma postagem curtida 870 mil vezes em seu Instagram. “Eu estava com altos níveis de colesterol, triglicérides, gordura no fígado e baixa imunidade”, disse ela. Reconheceu ter se irritado com os boatos de que teria se submetido a uma cirurgia bariátrica, além das acusações de ter se adequado aos padrões estéticos. “Eu não teria defendido a aceitação do corpo desde o começo só para ter feito isso agora”, declarou alguns minutos antes de seguir em uma van até o local do show, escoltada por duas motos da polícia. A saúde problemática era resultado da rotina exaustiva que levava, com até 25 shows por mês. Hoje diminuiu a agenda para uma quantidade entre 18 e 20 shows, o que assegura ao menos dois dias de folga na semana, que costuma passar com a família em Goiânia.

Para atender à demanda de apresentações, a produção do show de Marília envolve um jatinho particular, uma equipe com 37 pessoas — todos homens, incluindo dois pilotos e três motoristas —, um ônibus e uma carreta. De Votorantim, Marília seguiria nos dias imediatamente posteriores para o rodeio de Americana, também interior paulista, e depois para Manaus, onde um serviço de produção extra teve de ser contratado. A assessoria da cantora não revelou, mas é provável que os negócios ao redor de Marília, incluindo shows, direitos e parcerias, tenham faturamento próximo dos R$ 10 milhões por mês.


Marília Mendonça costuma explicar o sucesso pelo teor do que canta. Diz que a realidade — nome, aliás, de seu segundo disco, cuja gravação ao vivo reuniu 40 mil pessoas em Manaus — presente nas letras tem grande responsabilidade. Ainda que o título de Rainha da Sofrência seja algo a que diz ter se acostumado, é impossível desassociar o sofrimento da figura de Marília quando afirma, poucos minutos antes de cantar para a multidão em Votorantim, que, em seus relacionamentos, “deu tudo errado, toda vez”. Em mais de uma entrevista afirmou ter sido traída pela primeira vez em sua primeira relação amorosa, aos 13 anos.
Natural de Cristianópolis, cidade a 90 quilômetros da capital goiana onde foi “só para nascer”, em razão de ser a cidade onde trabalhava um médico amigo do pai, Marília Mendonça seguiu com poucos dias de vida para Goiânia, que concentra grande parte do mercado da música sertaneja no país. Durante a pré-adolescência, Marília odiava o gênero, preferindo canções de pop rock. Já cantando na igreja, rabiscou algumas letras que ainda não evocavam o estilo musical que a faria famosa. Quem a colocou no caminho da sofrência foi o cantor e compositor Eduardo Marques, amigo mais velho com quem chegou a formar a dupla Marília & Eduardo por menos de um ano, entre 2009 e 2010. O trabalho de convencê-la a adotar o estilo musical mais consagrado na região, que Marques garantiu ter sido árduo, envolveu uma praga. “Eu brincava, dizendo: ‘Marília, você só vai começar a cantar sertanejo depois de levar um chifre’”, disse ele, que hoje trabalha como pintor na Irlanda. A desilusão veio pouco tempo depois, e a jovem, que já arranhava acordes no violão, começou a compor os primeiros versos em ritmo sertanejo.

Faz quase 40 anos que a música sertaneja ganhou força de mercado no Brasil, sempre com um repertório sofrido sobre paixões rasgadas. O gênero atingiu maior alcance nacional nos anos 1990, mas artistas como Michel Teló e a dupla Jorge & Mateus, garotos com pouco mais de 20 anos que usavam referências jovens nas letras, fizeram-no renascer no fim dos anos 2000. Se o chamado sertanejo universitário está até hoje entre os gêneros mais ouvidos do país — dos cinco artistas nacionais mais populares no Spotify em 2017, quatro, entre eles Marília, representam esse estilo musical —, é fato que o ramo nunca deu muito espaço para cantoras. Até que, no fim de 2015, Marília Mendonça, então com 20 anos, gravou Marília Mendonça ao vivo, marcando o início do subgênero que é a última novidade da música sertaneja. Nele, mulheres tomam a palavra e contam sua versão das histórias de amor — é o chamado feminejo.

Para uma plateia quase vazia, a apresentação inicial, gravada modestamente em um estúdio paulista, já deixava claro a que vinha a cantora. Das 17 músicas do disco, em 15 Marília cantava sobre ser traída e expulsar o namorado de casa; sobre ser amante e ter ciúmes da mulher do adúltero; sobre ligar para o porteiro e barrar a entrada do ex-namorado no prédio; sobre receber mensagens do ex às 4h15 da manhã e rejeitar a reconciliação; sobre querer saber se a parceira atual do antigo namorado é tão boa quanto ela na cama; sobre ter uma recaída e admitir que o casal só funciona “entre quatro paredes”; sobre ter saudade do último amado e desejá-lo de volta sem sucesso; sobre amaldiçoar, por fim, todos os seus relacionamentos anteriores e futuros. Cada tema desses é uma música diferente, e às vezes o mesmo assunto aparece em mais de uma canção.

Por mais que o sucesso do disco tenha vindo rapidamente, para alcançá-lo foi necessária uma estratégia de lançamento diferente, que envolveu investir primeiro no Nordeste brasileiro, onde a presença de mulheres no forró, no brega e na axé music é mais comum. Marília realizou várias apresentações nessa região até conseguir atingir os bastiões mais tradicionais do gênero no país, como o Centro-Oeste. Junto dela, outras sertanejas começaram a aparecer, várias mais experientes, como as duplas Maiara & Maraisa e Simone & Simaria, as últimas vindas do forró. A popularidade dessas artistas, maiores nomes do feminejo no país, alavancou-se conjuntamente até estourar em meados de 2016. Segundo a Playax, empresa que coleta dados do mercado musical no país, os números de Marília em plataformas digitais — como Spotify, Deezer e YouTube —, além de suas execuções em mais de 5 mil rádios no país, de seu desempenho nas redes sociais e do engajamento que consegue por meio delas, colocam a sertaneja hoje em primeiro lugar entre os artistas mais populares do Brasil.

O grande sucesso do primeiro disco, que apresentou Marília Mendonça para a maioria das pessoas, é “Infiel”, composto por ela. A letra, que desafia o tal infiel a “morar no motel”, teve como inspiração uma tia que viveu situação parecida em Goiás, mas, ao contrário da história da música, não chegou a terminar o casamento após os flagras. A mãe de Marília Mendonça, a dona de casa Ruth Dias, foi traída pelo padrasto da cantora quando esta era adolescente.

Para esses exemplos, desde a falta de representatividade na música sertaneja até a indignação com a sorte amorosa da tia e da mãe, Marília Mendonça se inclinou na cadeira antes de dar uma resposta clara: “Quis colocar em minhas músicas exemplos para que outras mulheres seguissem. Por isso é que meu feminismo é um feminismo de atitudes”.

No fã-clube As Cariocas da Marília, todas as 13 integrantes são mulheres. Às 10 horas de um domingo na Marina da Glória, centro do Rio de Janeiro, quatro delas já estavam na fila de entrada de um show que só começaria pouco depois das 21 horas, fechando o terceiro e último dia do festival Sertanejo in Rio. Anne, Nayana, Ana Carolina e Patrícia estavam uniformizadas com camisetas, bolsinhas, mochilas, toalhas de rosto e outros apetrechos personalizados com o nome do grupo, sem dar o mínimo sinal de cansaço. “A gente tá acostumada com coisa muito pior”, disse Anne Monteiro, vice-presidente do clube. Com 37 anos e contando com o emprego em uma importadora para bancar os ingressos, esse seria seu 15º show, sem contar as oito gravações de programas de TV em que também viu Marília.

As cariocas resolveram chegar cedo por um motivo claro: se Marília não as enxergasse à beira do palco ao entrar cantando “Ei, saudade”, não valeria a pena ter gasto os R$ 200 do ingresso para a pista premium nem ter saído de casa. Estavam ali para ver sua “ídola”, é claro, mas, após tantas apresentações e um nível tão alto de envolvimento, estavam ali principalmente para ser vistas, torcer por alguma menção durante o show e, ao fim, encontrá-la por alguns segundos no camarim.

O fanatismo das quatro enfrentou um rol de provações. Para estar ali, Nayana Cristina, pizzaiola de 24 anos no Méier e mãe de dois filhos, chegou a ser demitida. Morena e baixinha, desafiou a patroa quando se negou a trabalhar num domingo para ir ao show. A ousadia foi suficiente para custar-lhe o emprego, situação que acabou se revertendo após alguns dias de reflexão da chefe. Ligando seus ombros pelas costas, uma tatuagem exibe um dos versos de “De quem é a culpa?”: “É tipo um vício que não tem mais cura”.

Ana Carolina, cuidadora de 30 anos em Niterói e mãe de dois filhos, mostrava-se um tanto abalada naquela manhã. Depois de algum tempo desempregada, finalmente conseguira serviço na semana anterior, mas faltava ao primeiro plantão para ir ao show. A decisão fez o marido, pai da filha de 13 anos, sair de casa em protesto e sem pistas de que planejava voltar. Separada do amado, ela veria a apresentação em um impasse com o atual parceiro, o que aumentava a carga emocional já envolvida nas canções de temática parecida. Patrícia Alves, operadora de telemarketing de 28 anos, fechava o quarteto dizendo já ter deixado de pagar a escola do filho para comprar ingressos.

O motivo de tanto esforço e temeridade, todas disseram, estava nas letras de Marília Mendonça, o que foi sintetizado por Ivone Silva, presidente do fã-clube, que chegou mais tarde — tendo pago, sim, uma colega para rendê-la no posto de cuidadora após o meio-dia: “Muitas mulheres aceitam situações que não deviam, e ouvir Marília dá vontade de não abaixar a cabeça. Já fui traída e sei exatamente do que ela está falando”, disse a mãe de dois filhos que mora em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Após o meio-dia, o marasmo da sesta só mudou quando surgiu um homem de bandana, óculos escuros, bermuda cargo, pele queimada de sol e uma camiseta com os dizeres “Fã-Clube Rainha da Sofrência”, colocando no celular o último sucesso de Marília até então, a música “Ausência”. As meninas ouviram e acompanharam a cantoria. Com 53 anos, Marcos Mendonça, sem relação de parentesco com Marília Mendonça, foi o primeiro fanático do sexo masculino a aparecer. Ao apontar para uma garrafa de 2 litros cheia com uma mistura de cachaça com catuaba e que bebericava de vez em quando, o homem corpulento afirmou, sem jamais tirar os óculos escuros: “A relação de Marília com o público é com a música e a cachaça”.

Fazendo referência a outra canção da sertaneja, Marcos, que trabalha no ramo de construção de estruturas metálicas, definiu seu coração como “mal-assombrado”. Segundo ele, a cantora foi a primeira mulher de quem se tornou fã, porque representava as dores de amor, depois de ter “traído muito” e acabar sozinho, sempre à procura de uma nova parceira. Quando o assunto é representatividade, Marcos disse acreditar que as músicas de Marília Mendonça são “para mulher, mas atingem os homens” e que a sofrência é algo que gosta muito de sentir, independentemente do sexo de quem canta. Seu sonho, disse, é tomar “dois dedos de cachaça” com Marília, o suficiente, segundo ele, para afogar as mágoas com a cantora que garante ser “boa de copo”.

Eduardo Marques, parceiro de Marília Mendonça na antiga dupla Marília & Eduardo, disse estar desapontado em relação ao que chama de “ingratidão” da cantora, por jamais ter reconhecido em público que ele a apresentou ao mundo do sertanejo. Na época em que a conheceu, em 2009, Marília morava em uma casa simples e, segundo contou, passava por dificuldades financeiras. Já separada do pai de Marília, Mário Mendonça, que veio a falecer pouco depois, a mãe, dona Ruth, teve dificuldade para pagar o aluguel após se separar do padrasto de Marília Mendonça, em resposta à descoberta de uma traição.

Por mais que o antigo parceiro diga que nessa época Marília não sabia mais que “arranhar um violãozinho”, seu talento com a voz e com as letras era inegável: “Insisti que ela tentasse se profissionalizar, porque vi que ela levava jeito cantando e sabia que escrevia bem”, disse ele, por telefone, da Irlanda.

Se Marília já tinha talento para as letras, isso não demorou a ser percebido por figurões do mercado sertanejo, chamando a atenção dos empresários da dupla João Neto & Frederico, no escritório de Wander Oliveira, da WorkShow. Hoje uma enorme fábrica de agenciamento de sucessos do sertanejo, como Naiara Azevedo e a dupla Maiara & Maraisa, na época o escritório ainda começava a despontar no mercado nacional e procurava compositores para seus artistas já lançados no show business. Na voz da dupla Maiara & Maraisa, então um dos carros-chefes da empresa, algumas composições de Marília Mendonça tornaram-se sucesso, como “Crime perfeito”, lançada quando tinha 16 anos. A cantora lembra bem que, com essa última, ganhou sua primeira quantia de respeito na música sertaneja, que usou para presentear a mãe com um “Celtinha velho”.

Nos anos seguintes, o nome de Marília começou a aparecer como compositora em discos de vários artistas sertanejos de sucesso, entre eles Jorge & Mateus, Henrique & Juliano, Maiara & Maraisa. Apesar de já conseguir se manter suficientemente bem só com as composições, Marília não se dava por satisfeita: queria cantar e fazia questão de insistir nisso com seus empregadores. Até lançar Marília Mendonça ao vivo, a conversa entre as figuras do mercado sertanejo era que Marília Mendonça poderia ser mais uma promessa de cantora estrategicamente mantida apenas como compositora.

André Piunti, especialista no gênero e dono do blog Universo Sertanejo, afirmou que a prática não é incomum no meio. Antes de Marília Mendonça e suas parceiras no feminejo, poucas mulheres já haviam feito sucesso no ramo, como Roberta Miranda e, mais recentemente, Paula Fernandes. O paralelo com Roberta, aliás, é sintomático: “Roberta surgiu como uma ótima compositora, mas era preterida enquanto cantora, porque queriam que ela só escrevesse para outras pessoas. As histórias dela e de Marília são parecidas, uma vez que, depois de alguma insistência, as duas quebraram o paradigma quando começaram a cantar”, disse ele. Sobre o assunto, Marília Mendonça prefere pegar leve com o ramo, dizendo que só sofreu preconceito por representar “algo novo” e não exatamente por ser mulher.

Em um gesto raro para artistas vindos do sertanejo, o que acompanha a opinião de Piunti, Marília também ganhou a simpatia de nomes consolidados da MPB a partir de suas composições. É esperado que a cantora baiana Gal Costa grave em seu próximo disco uma música de Marília Mendonça especialmente encomendada. Ainda não há pistas que indiquem que a letra seguirá o roteiro típico das canções de sofrência, mas, segundo Alexandre Kassin, músico e produtor que já trabalhou com artistas como Caetano Veloso, Vanessa da Mata e Jorge Mautner, o sofrimento é apenas um detalhe na carreira de Marília. Acompanhando com atenção o cenário sertanejo, ele disse se impressionar com a sofisticação técnica que o estilo vem ganhando a partir de sua “possibilidade industrial”. Acredita que o sucesso de Marília Mendonça transcende as limitações de classificações musicais: “Ela é uma cantora e compositora de grande talento que, por acaso, está fazendo músicas de sofrência”. Mais que uma simples competição entre gêneros musicais, Kassin vê o fenômeno do feminejo com entusiasmo. Ele disse que não entende pessoas no ramo, seja na MPB ou não, que ainda têm algum tipo de resistência ao que classifica como música pop. Afirmou que o mais surpreendente na recente evolução do sertanejo não é seu enorme sucesso, mas uma “fatia cultural brasileira” ainda ver esses fenômenos com certa distância.

Depois do “Celtinha velho”, do surgimento como cantora e das 40 mil pessoas na gravação de Realidade, em Manaus — tudo em um intervalo de seis anos —, a vida material de Marília também mudou um bocado. A casa simples em que morava de aluguel no Parque Amazônia, bairro no sul de Goiânia, ainda exibe o mesmo portão gasto e muro sem reboco. Um bairro de classe média baixa à época de Marília Mendonça, a região tem visto seu visual e seus preços mudarem lentamente a partir de uma crescente especulação imobiliária que fez surgir condomínios verticais. Apesar de já não morar nessa porção da capital, Marília ainda é lembrada por alguns moradores: o proprietário do Skinão Bar e Lava-Rápido disse ter orgulho em ter lhe servido cerveja quando ela ainda não era famosa, e uma funcionária no Posto Bom Sucesso afirmou se lembrar muito bem de quando Marília Mendonça tocava em seu estabelecimento sem receber cachê.

Assim como outros sertanejos famosos que vivem na cidade, entre eles Leonardo, Eduardo Costa e as colegas de feminejo Simone & Simaria e Maiara & Maraisa, Marília atualmente mora em uma casa dentro de um dos vários condomínios de luxo que cercam Goiânia. Os imóveis, que costumam ter piscina, diversos quartos e andares, não raramente superam os milhões de reais e são os mais cobiçados da cidade. Para além das fronteiras do município, a cantora recentemente comprou uma chácara em Aparecida de Goiânia, zona metropolitana da capital — o valor divulgado pela imprensa, de R$ 2 milhões, é contestado pela assessoria da cantora. Ainda que o local em que more hoje seja diferente daquele em que vivia no Parque Amazônia, em ambos Marília Mendonça teve o mesmo problema com vizinhos: no início da carreira, afirmou, reclamavam de suas cantorias e no endereço atual reclamam do som alto, pelo qual já recebeu notificações formais. Rindo das faltas do presente e brincando com as implicâncias do passado, ela disse com uma ponta de revanchismo: “Antes reclamavam, hoje pagam para ir ao meu show”.

Os shows de Marília Mendonça raramente passam dos 90 minutos e seguem um modus operandi que muda muito pouco entre uma apresentação e outra. Tanto no Rio quanto em Votorantim e Volta Redonda, a sequência de músicas foi quase idêntica, começando com “Ei, Saudade” e terminando com um medley que junta todos os refrãos de Marília Mendonça ao vivo. Ao contrário do show anterior, de Wesley Safadão, que fez o público pular com canções sobre noitadas e farras, quando Marília Mendonça sobe ao palco, os fãs se põem em ritmo mais lento e emocionado.

O roteiro já começara com a chegada de Marília Mendonça ao local, saindo da van e entrando no camarim rapidamente. Com uma grande variedade de comida e bebida disponível, Marília esperou até começar o “atendimento”: fãs selecionados tiveram alguns segundos para encontrá-la e tirar uma foto. As reações ao encontro foram diferentes: três adolescentes, ao superar uma cortina na entrada da saleta, desviaram o rosto com vergonha ao encarar Marília pela primeira vez, como se vislumbrá-la por muito tempo fosse um gesto herético. Já Marcos Mendonça foi recebido com um “esse é meu fã mais cachaceiro”, em uma saudação de duas pessoas que já se viram outras vezes na mesma situação. Depois do atendimento, Marília Mendonça teve mais um tempo de introspecção até subir ao palco. Durante esse pequeno período em Volta Redonda, fumou um cigarro e rezou silenciosamente. Quando acabou a última música, antes que os instrumentos parassem de tocar, Marília Mendonça já estava dentro da van em direção ao hotel, ao jatinho ou à próxima cidade.

São poucas as pessoas que acompanham Marília em quase todas as situações, desde o quarto de hotel até as viagens aéreas com número de passageiros reduzido — o resto da equipe vai em voos comerciais ou de ônibus. Eduardo Guimarães, seu maquiador, é uma delas. Depois que começou a trabalhar com a cantora diariamente, há quase dois anos, disse ter “renascido”. Além do reconhecimento profissional, o trabalho também rendeu ao paulista dois fã-clubes e um enorme apego emocional à cantora. Em voz baixa no camarim, ele disse que Marília Mendonça pode se indispor um bocado com a agilidade de sua agenda, preferindo se isolar quando isso acontece.

Se tem algo que Marília disse odiar, no entanto — e que seu maquiador confirmou —, é se locomover de van entre os destinos. Aos trajetos, que classificou como suplício, a goiana ao menos já conseguiu se acostumar um pouco, mas à solteirice, não. Desde que desfez em agosto de 2017 o noivado com o produtor de eventos paraibano Yugnir Ângelo, um relacionamento que já durava quase dois anos, está solteira e disse não se sentir muito bem com isso, balançando a cabeça enquanto fala. Na época do rompimento, fãs não tiveram vergonha de comemorar ironicamente: Marília Mendonça triste era sinônimo de mais sucessos de sofrimento por vir. De lá para cá, depois de Realidade, lançou com Maiara & Maraisa o disco Agora é que são elas 2, mas ainda não há previsão de um próximo trabalho solo.


À pergunta de como consegue se relacionar com uma agenda tão cheia, Marília Mendonça respondeu com um muxoxo: “Não consigo, não é?”. Classificando-se como grande ciumenta, riu quando uma de suas declarações foi evocada. Disse que não gosta de que os namorados tenham amigas, sem reconhecer que a prática pode ser considerada algo comum em relacionamentos abusivos. O motivo alegado para o fim do noivado, no entanto, foi sua idade: “Marília se sente muito nova para um relacionamento tão sério”, dizia uma nota da assessoria na época do rompimento, sem entrar em detalhes.

Por mais que os 22 anos de idade e os três de carreira não sejam muitos, o futuro musical da cantora mais ouvida do Brasil, segundo o especialista André Piunti, já está consolidado. Para ele, o diferencial que assegura a Marília um lugar cativo à frente dos outros artistas no sertanejo é a junção de voz e composição apurada, o que costuma ser raro no gênero. Se é verdade que, no último disco em parceria com as colegas de feminejo, Piunti já vê algumas mudanças na figura da cantora, que “está ficando mais séria”, ele garante que o estilo de Marília Mendonça continua único no feminejo, algo que consegue se comunicar muito bem com o público.

Se depender dela, a receita do sucesso é visível. Na metade da apresentação em Votorantim, Marília Mendonça deixou o palco quando dois cantores de apoio assumiram o show. Após dez minutos de funks acompanhados sem muita empolgação pelo público, Marília voltou, encarou os mais de 10 mil presentes e disparou com a voz grossa, antes de continuar com suas composições, para alegria geral: “Vocês querem é sofrência? Então toma!”.

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